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Chikungunya: entenda doença que preocupa Mato Grosso do Sul

Redação
Foto: © nuzeee/Pixabay

O governo federal reconheceu a situação de emergência em saúde pública no município de Dourados (MS) devido a doenças infecciosas virais, com destaque para a infecção por Chikungunya. Anteriormente, na última sexta-feira (27), a prefeitura já havia decretado emergência em áreas do município afetadas pela doença.

Um boletim epidemiológico recente revelou dados preocupantes: na área urbana, foram registrados 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Na Reserva Indígena de Dourados, a situação inclui 539 casos em investigação, 629 confirmados, 1.168 prováveis, sete internações, 428 atendimentos hospitalares e cinco óbitos confirmados.

Em comunicado, a Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul anunciou que o estado será incluído em uma estratégia piloto do Ministério da Saúde para receber doses da vacina contra a Chikungunya. Essa decisão foi tomada após uma solicitação formal ao governo federal, justificada pelo cenário epidemiológico de arboviroses em Dourados, especialmente nas áreas indígenas.

A doença

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, o principal vetor da doença é o Aedes aegypti, conforme informações do Ministério da Saúde. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013, causando epidemias em países da América Central e ilhas do Caribe.

A presença da doença foi confirmada no Brasil, por meio de exames laboratoriais, nos estados do Amapá e Bahia no segundo semestre de 2014. Atualmente, o arbovírus já registra transmissão em todos os estados brasileiros. Em 2023, o Ministério da Saúde observou uma significativa dispersão territorial do vírus, com maior incidência na Região Sudeste, diferentemente de períodos anteriores, quando as maiores concentrações estavam no Nordeste.

As manifestações clínicas primárias da infecção incluem edema e dor articular severa, que pode ser incapacitante. Além disso, podem surgir manifestações extra-articulares. Casos mais graves podem requerer internação hospitalar e, em algumas situações, levar ao óbito. O vírus também é capaz de provocar doenças neuroinvasivas, manifestadas por condições neurológicas como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.

Sintomas

Os principais sintomas da infecção pelo vírus Chikungunya, de acordo com o ministério, são:

  • Febre;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • dores intensas nas articulações;
  • manchas vermelhas pelo corpo;
  • dor atrás dos olhos;
  • dor nas costas;
  • conjuntivite não purulenta;
  • náuseas e vômitos;
  • edema nas articulações (geralmente as mesmas afetadas pela dor intensa);
  • prurido (coceira) na pele, que pode ser generalizada, ou localizada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés;
  • diarreia e/ou dor abdominal (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças);
  • dor de garganta;
  • calafrios.

Fases

Segundo a pasta, a doença pode evoluir em três fases:

  • Febril ou aguda, com duração de cinco a 14 dias;
  • pós-aguda, com curso de 15 a 90 dias;
  • crônica, caso os sintomas persistam por mais de 90 dias. Em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos.

O ministério ressaltou que “é possível que se desenvolvam manifestações extra-articulares, ou sistêmicas: no sistema nervoso, cardiovascular, pele, rins e outros”.

Diagnóstico

O diagnóstico da chikungunya envolve aspectos clínicos e laboratoriais, sendo essencialmente realizado por um profissional médico. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza todos os exames laboratoriais necessários para o acompanhamento clínico e os testes diagnósticos, tanto sorológicos quanto moleculares.

Em situações de suspeita da doença, o Ministério da Saúde orienta que a notificação seja registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Para casos de óbito, a notificação deve ser encaminhada à pasta em um prazo máximo de 24 horas.

Um caso suspeito é definido como um paciente que manifesta febre de início súbito, acompanhada de artralgia ou artrite intensa (dor nas articulações) de início agudo, sem outra explicação. Esse paciente deve residir ou ter visitado áreas com transmissão da doença nas duas semanas anteriores ao início dos sintomas, ou ter um vínculo epidemiológico com um caso já confirmado.

Tratamento

O tratamento para a infecção por Chikungunya é sintomático, uma vez que não existe, até o momento, um antiviral específico para a doença. A abordagem terapêutica foca em analgesia e medidas de suporte.

O Ministério da Saúde orienta os profissionais de saúde a incentivar a hidratação oral dos pacientes e a selecionar os medicamentos após uma avaliação cuidadosa do quadro clínico, utilizando escalas de dor adequadas para a idade e fase da doença.

Em situações de comprometimento musculoesquelético significativo, e sempre sob avaliação médica individualizada, a fisioterapia pode ser recomendada.

A pasta enfatizou a importância de “procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a automedicação”, caso surja qualquer sintoma suspeito. O ministério alertou que a automedicação pode ocultar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro clínico.

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