Destaque

Prevenção e promoção da saúde são parâmetros imprescindíveis, diz ANS

Redação
Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

ANS Defende Modelo de Saúde Preventivo e Alerta para Crescimento do Câncer

Em um período que marca o Dia Mundial da Saúde e o Dia Mundial de Combate ao Câncer, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, enfatizou a urgência de superar o atual modelo de assistência à saúde, que ele descreve como "reativo" e focado primariamente no tratamento de doenças. Em entrevista, Damous destacou a prevenção e a promoção da saúde como pilares essenciais para um novo paradigma. Ele propõe um diálogo amplo com o setor para construir um sistema que, além de beneficiar a população, também otimize custos para as operadoras.

A ANS, agência reguladora do setor de planos de saúde no Brasil e vinculada ao Ministério da Saúde, busca promover um conjunto de medidas que visam aprimorar a criação de normas, o controle e a fiscalização do segmento. Damous defende o letramento em saúde como uma ferramenta crucial para capacitar os beneficiários a tomarem decisões mais informadas e para que as operadoras de saúde se engajem ativamente nesse processo. Para ele, a saúde suplementar deve ser vista como um sistema integrado, e não apenas como um conjunto de empresas.

Damous alertou para o avanço do câncer no Brasil, que já superou as doenças cardiovasculares como principal causa de incidência em mais de 700 cidades. A projeção é que, até 2029, o câncer lidere esse ranking nacionalmente, um cenário que exige preparação e ação conjunta entre os setores público e privado da saúde.

A Necessidade de um Novo Paradigma na Saúde

O diretor-presidente da ANS reiterou que o modelo de assistência focado na reação e tratamento de doenças é oneroso e ineficiente, uma conclusão compartilhada por diversos especialistas. Ele argumenta que grande parte dos custos das operadoras deriva do manejo de complicações que poderiam ser evitadas ou tratadas precocemente, como diabetes, hipertensão e obesidade. Damous defende uma gestão de saúde mais inteligente, que promova uma mudança cultural e transite de um modelo de pagamento por volume, que incentiva exames desnecessários, para uma lógica de geração de valor em saúde, baseada em linhas de cuidado planejadas e prevenção. Essa abordagem, segundo ele, não só reduz custos, mas também preserva vidas e melhora a qualidade de vida.

Prevenção como Pilar Imprescindível

Questionado sobre a inegociabilidade da prevenção para a sustentabilidade da saúde suplementar, Damous afirmou que, embora o termo "inegociável" não se aplique a um ambiente regulatório de diálogo, a prevenção e promoção da saúde são "parâmetros imprescindíveis". Ele expressou otimismo em promover um diálogo baseado em evidências com operadoras, hospitais e clínicas, demonstrando que a prevenção é benéfica até mesmo para a lucratividade do setor, ao baratear custos. A expectativa é que essa nova visão sensibilize os diversos atores do segmento.

O Letramento em Saúde como Política Pública

Damous enfatizou que o letramento em saúde transcende o âmbito da saúde suplementar, sendo uma política pública essencial a ser liderada pelo Ministério da Saúde, com a ANS atuando como um catalisador no setor privado. Ele ressaltou a importância de uma campanha organizada e em linguagem simples para conscientizar os mais de 53 milhões de usuários de planos de saúde sobre a necessidade da prevenção. O objetivo é incentivar exames periódicos, consultas médicas regulares, prática de exercícios e alimentação saudável, mostrando que a prevenção é a chave para uma vida longa e de qualidade, e não apenas a reação à doença já instalada.

Engajamento das Operadoras na Prevenção

Para o diretor-presidente, as operadoras têm um papel fundamental em utilizar seus canais de comunicação para orientar credenciados, médicos, hospitais e clínicas a integrar a campanha de letramento em saúde. Ele planeja desenvolver um projeto para submeter às operadoras, visando sua adesão e tornando a iniciativa atraente para o setor. Damous reforça que a saúde suplementar deve operar como um sistema coeso, e não como um conjunto isolado de empresas, trabalhando em conjunto com o sistema público.

Impacto da Nova Lei e Crescimento Epidêmico do Câncer

Sobre a recente lei que obriga empresas a informar trabalhadores sobre campanhas de vacinação contra o HPV e cânceres específicos (mama, colo do útero e próstata), Damous avaliou que seus impactos na saúde suplementar serão observados com o tempo. Ele mencionou que a lei, sancionada pelo presidente Lula, prevê a incorporação de tratamentos de imunoterapia no SUS para 40 tipos de câncer, um escopo mais amplo do que o atual rol da ANS. A expectativa é que esses procedimentos sejam incorporados ao rol da agência, o que demandará análise do impacto regulatório e na sustentabilidade do sistema. O diretor-presidente reiterou que o câncer avança em proporções epidêmicas no Brasil, com projeções indicando que até 2029 a doença liderará o ranking de incidência no país, superando as doenças cardiovasculares. Ele enfatizou a necessidade de preparação e de uma atuação conjunta entre a saúde suplementar e a saúde pública para combater esse avanço.

Afastamento para Exames Preventivos e Detecção Precoce

Damous afirmou que o direito ao afastamento para exames preventivos é crucial para a detecção precoce e adesão ao tratamento, especialmente contra o câncer. Ele apontou que a falta de diagnóstico precoce e o atendimento tardio, tanto no SUS quanto na saúde suplementar, contribuem para o avanço da doença, muitas vezes resultando em letalidade ou sequelas irreversíveis. O diretor-presidente reforçou que a prevenção e o cuidado contínuo, com exames periódicos, são políticas públicas essenciais, pois muitos tumores são quase 100% curáveis quando detectados em estágios iniciais.

Saúde Mental e Jornadas de Trabalho: Uma Questão de Saúde Pública

Abordando a saúde mental e as jornadas de trabalho, Damous citou relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) que indicam um aumento epidemiológico de casos de transtornos mentais e burnout globalmente, resultando em depressão profunda e suicídio. Ele salientou que a saúde suplementar não pode ignorar essa questão, apoiando a proposta governamental de acabar com a escala de trabalho 6x1. Para Damous, essa escala, que ele descreve como "escravagista", impede o lazer e o convívio familiar, impactando diretamente a saúde mental e, consequentemente, a saúde física, agravando doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade. Ele concluiu que este é um debate crucial, que deve ser tratado com atenção e baseado em evidências técnico-científicas, reconhecendo-o como uma questão de saúde pública.

Comentários

Deixe sua opinião sobre este conteúdo usando sua conta do Facebook.

play_circleTV ao Vivo

AO VIVO

Notícias relacionadas