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Fortalecimento do empreendedorismo feminino passa por revisão do modelo de financiamento, diz Sebrae

Redação

O Sebrae Nacional apresentou um diagnóstico detalhado sobre os obstáculos enfrentados por mulheres empreendedoras no acesso ao crédito no mercado brasileiro. A análise, divulgada durante o evento “Finanças, cidadania e bem-estar: os desafios das mulheres no Brasil”, promovido pelo Banco Central (Bacen), sugere que a superação dessas barreiras depende da revisão das diretrizes de garantias para micro e pequenas empresas, além da capacitação e certificação de analistas de crédito.

A exposição foi conduzida por Giovanni Beviláqua, coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae. Ele participou do painel “Gênero e raça em foco: o que dizem os dados do Banco Central e do Sebrae”, que ocorreu na última sexta-feira (22) na sede do Bacen, em Brasília (DF), como parte da 13ª Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF).

O financiamento destinado ao empreendedorismo feminino no Brasil é limitado por barreiras estruturais significativas. Entre elas, destacam-se as dificuldades patrimoniais e de garantias, bem como obstáculos socioculturais e comportamentais, como a frequente exigência de um avalista masculino, o que reflete uma desconfiança institucional. Essa avaliação está contida no artigo “Financiamento do Empreendedorismo Feminino Revisitado”, escrito por Beviláqua e Márcio Borges, da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae.

Recomendações do Diagnóstico

  • Revisão das diretrizes de garantias aplicáveis a micro e pequenas empresas.
  • Criação de um ambiente regulatório experimental para testar novos produtos financeiros baseados no financiamento por reconhecimento, considerando indicadores de capital social, territorial e reputacional.
  • Estabelecimento de obrigatoriedade ou recomendação para que o Sistema Financeiro Nacional reporte indicadores de crédito desagregados por gênero, raça e porte.
  • Capacitação e certificação de analistas de crédito.
  • Incentivo a instituições financeiras pioneiras que adotarem voluntariamente o modelo de financiamento por reconhecimento.

Giovanni Beviláqua ressaltou que “as recomendações são factíveis dentro do arcabouço regulatório atual e podem ser implementadas de forma gradual, com métricas claras de avaliação”. O estudo argumenta que a integração de uma sofisticação regulatória com o potencial empreendedor é fundamental para um desenvolvimento econômico que reconheça a riqueza dos pequenos negócios não apenas no que é visível, mas também na confiança que podem gerar.

O painel também contou com a participação de Livia Gratz, assessora do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Bacen, que apresentou um estudo sobre gênero, raça e crédito do novo Relatório de Cidadania Financeira. Ana Márcia Fonseca, chefe de Divisão no mesmo departamento, expôs uma pesquisa qualitativa sobre educação financeira para mulheres.

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