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Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética

Redação

Especialistas debateram a transição energética em seminário na Câmara dos Deputados, propondo a substituição gradual de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, que contribuem para o aquecimento global. Eles defenderam uma transição com metas anuais, prazos obrigatórios e fundos para assegurar a justiça climática.

Carolina Marçal, coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, apontou a necessidade de o Brasil resolver contradições em sua política energética. Marçal observou que, apesar de o Brasil se posicionar como líder climático global, há uma expansão da indústria fóssil e de explorações em áreas sensíveis, como a Margem Equatorial.

Ricardo Fuji, analista do WWF Brasil, alertou sobre os impactos sociais e ambientais da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, incluindo o risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2. Ele sugeriu que o investimento deveria ser direcionado para eletricidade limpa e biocombustíveis. Fuji exemplificou que o mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas poderia ser usado para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável.

Derivados do Petróleo

Os especialistas também abordaram o impacto do cenário geopolítico nos preços internacionais dos derivados de petróleo. Foi revelado que, nos primeiros 50 dias do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera obteve um lucro de 150 bilhões de dólares, conforme dados da 350.org Brasil, uma organização global que defende o fim dos combustíveis fósseis.

Adicionalmente, foi mencionado que dois terços da população mundial residem em nações importadoras de petróleo, as quais registraram um aumento no custo de vida durante o período do conflito.

João Cerqueira, diretor da 350.org no Brasil, ressaltou que o setor de combustíveis fósseis recebe altos subsídios globalmente. Ele solicitou aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que visa proibir novos subsídios ao carvão, e a rejeição do PL 1371/25, que propõe manter esses subsídios no Brasil até 2050.

O deputado Fernando Mineiro (PT-RN), um dos organizadores do debate, defendeu a abordagem do governo federal para a crise energética. Ele afirmou que a ação política, e não a de mercado, foi crucial para posicionar o Brasil favoravelmente em comparação a outras nações, indicando que o livre mercado não definirá a transição energética justa.

Conta de Luz

Os impactos da política energética na conta de luz também foram tema de discussão. Leandro Moreira, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mencionou as iniciativas para diminuir o peso dos subsídios na tarifa, incluindo o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), atualmente em análise na Câmara.

Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, propôs que o país priorize planejamento, financiamento e uma estratégia industrial de longo prazo, especialmente considerando as novas oportunidades de exploração mineral e energética. Targino enfatizou a importância de evitar uma nova dependência tecnológica e material ao sair da dependência fóssil. Ela defendeu que a agenda de minerais críticos estratégicos seja tratada como uma agenda industrial, com foco em agregação de valor, rastreabilidade, circularidade e padrões socioambientais rigorosos.

O seminário foi organizado pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor da Câmara.

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