Agronegócio

Coruripe levanta R$ 1,5 bi com precatórios, paga dívida e libera garantias

Redação

A Usina Coruripe, tradicional empresa sucroalcooleira com mais de cem anos de história, obteve R$ 1,5 bilhão por meio da venda de precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Essa operação estratégica proporciona um alívio financeiro significativo para a companhia, especialmente em um período de margens apertadas no setor, permitindo a quitação de dívidas e a liberação de garantias.

A injeção de capital foi comunicada pela empresa em seu relatório financeiro mensal, divulgado nesta quinta-feira.

Os recursos serão utilizados pela Coruripe para liquidar a dívida sindicalizada contraída entre o final de 2024 e o início de 2025, destinada ao resgate de bonds emitidos no exterior. A monetização dos precatórios era um fator crucial para a liquidação antecipada desses compromissos, que envolvem o mercado bancário e de capitais.

Inicialmente, a dívida sindicalizada totalizava US$ 300 milhões (equivalente a R$ 1,8 bilhão na cotação da época), dividida igualmente entre reais e dólares. Com prazo de seis anos, parte desse montante já havia sido amortizada pela Coruripe em novembro.

No relatório mais recente, a companhia informa que a dívida da operação sindicalizada soma aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Bancos como Rabobank e Itaú BBA, juntamente com a XP Investimentos, foram responsáveis pela estruturação dessa transação.

No âmbito do mercado de capitais, a operação sindicalizada incluiu a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 604 milhões. Com a venda dos precatórios, a empresa realizará a quitação antecipada desse título, desembolsando R$ 540 milhões aos credores. A Ecoagro, securitizadora envolvida no CRA da Coruripe, já notificou os investidores sobre o pagamento, previsto para a próxima segunda-feira.

A monetização dos precatórios representa um fortalecimento da estrutura de capital da Coruripe, um aspecto que demandou atenção por muitos anos. Em uma apresentação a investidores no mês anterior, a empresa alagoana indicou que a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) poderia atingir 2,4 vezes ao final da safra 2026/27, partindo de um índice atual de 2,2 vezes.

A venda desses ativos judiciais, portanto, melhora a condição financeira da Coruripe em um cenário desafiador, com o açúcar enfrentando um ciclo de baixa e os preços do etanol sob pressão devido à sobreoferta.

Ao liquidar o empréstimo sindicalizado, a Coruripe adquire maior flexibilidade para futuras operações de refinanciamento. Além da redução da dívida, a companhia conseguirá liberar as terras da família Wanderley, que haviam sido oferecidas como garantia aos credores da operação realizada há cerca de um ano e meio.

A transação dos precatórios também sinaliza ao mercado a boa avaliação dos ativos judiciais presentes no balanço da Coruripe. Uma fonte próxima ao negócio mencionou que a usina possui outro precatório, com potencial de monetização futura.

No balanço mais recente, a empresa registrava um total superior a R$ 4 bilhões em precatórios. Parte desse valor foi monetizada na operação recente, embora a taxa de desconto aplicada na transação não tenha sido detalhada.

Com um faturamento anual que supera R$ 4 bilhões, a Coruripe figura entre os dez maiores grupos sucroalcooleiros do Brasil. Na safra anterior, as quatro usinas da companhia processaram aproximadamente 16 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Fonte: theagribiz

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