RuralCast Show

Café indígena ganha força na Terra Sete de Setembro e muda a rotina de produtores Paiter Suruí

Durante o Dia de Campo Paiter Suruí, em Cacoal, Joel Suruí contou como o café especial passou a gerar renda, fortalecer a comunidade e incentivar jovens a permanecerem no território indígena.

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Na Aldeia Amaral, dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, o café deixou de ser apenas uma lavoura. Hoje, ele faz parte da rotina das famílias, movimenta a economia da comunidade e ajuda a manter muitos jovens trabalhando dentro do próprio território.

Foi sobre essa mudança que o produtor Joel Suruí, também conhecido como Oyyeter Suruí, falou durante a cobertura especial do RuralCast no Dia de Campo Paiter Suruí, realizado no dia 2 de julho, na Comunidade Lapetanha.

O podcast RuralCast, apresentado por Adalto Costa, técnico agrícola, economista e representante da AC360 Agro & Cooperativas, acompanhou de perto as discussões sobre cafeicultura, cacauicultura, apicultura e fruticultura dentro da Terra Indígena Sete de Setembro.

Joel mora na Aldeia Amaral, na Linha 11, e carrega uma relação antiga com o café. Ele cresceu vendo o pai trabalhar na lavoura. O pai, segundo Joel, foi o fundador da aldeia e uma das primeiras referências da família na produção.

“Café, para mim, já é nossa cultura”, disse Joel durante a entrevista.

A castanha segue presente na alimentação, na medicina tradicional e na história do povo Paiter Suruí. Mas, com o passar dos anos, o café ganhou outro peso dentro da comunidade. Passou a ser fonte de renda, abriu portas para novos mercados e levou o nome dos produtores indígenas para fora de Rondônia.

“Hoje nós somos referência dentro do nosso território, no Estado de Rondônia e também nacionalmente”, afirmou.

A caminhada, porém, não foi simples. Joel contou que houve um período em que pensou em abandonar o café. Na época, a banana apresentava bom resultado dentro do território e ele chegou a considerar cortar todos os pés de café para mudar de atividade.

A virada veio com a assistência técnica. Com a chegada de orientação, manejo, irrigação, adubação e controle de pragas, a lavoura começou a responder melhor.

“Se não fosse o Senar, eu não estaria onde estou hoje”, relatou Joel.

Hoje ele trabalha com cerca de seis mil pés de café. Já teve mais, mas reduziu a quantidade para cuidar melhor da lavoura. A prioridade passou a ser qualidade, não apenas volume.

Desde 2019, Joel participa do Concurso Tribos e costuma colocar seu café entre os melhores produzidos na Terra Indígena Sete de Setembro. Para ele, esse resultado não é individual. A família está presente em cada etapa.

“Se não fosse a força da minha família, eu não estaria sendo essa referência dentro do território”, disse.

O cuidado aparece também no destino do produto. Segundo Joel, o café especial produzido pelos Paiter Suruí já pode ser encontrado em mercados e aeroportos do país.

“Hoje você encontra nosso café em mercados nacionais e aeroportos”, contou.

Para quem começou vendo o pai cuidar dos cafezais com poucos recursos, receber notícia de que o café da aldeia chegou à mesa de consumidores em outras regiões do Brasil tem um significado especial.

Joel também falou sobre os jovens. Segundo ele, a cafeicultura ajudou a mudar a visão de muitos que antes pensavam em sair da aldeia para buscar trabalho fora.

“Hoje a juventude quer trabalhar dentro do nosso território como cafeicultor e preservar o meio ambiente”, afirmou.

Essa é uma das marcas mais fortes da história contada no Dia de Campo: produzir, gerar renda e continuar dentro do território. Para Joel, o café não afasta os Paiter Suruí da sua cultura. Pelo contrário, ajuda a manter as famílias na aldeia, próximas da terra e da floresta.

No encerramento da conversa, Joel agradeceu ao RuralCast, ao Senar, à Funai, às lideranças indígenas e às comunidades Paiter Suruí. Também fez questão de dizer que a produção ainda pode avançar mais.

“Nós queremos melhorar mais daqui para frente. A nossa produção”, disse.

O café que sai da Terra Indígena Sete de Setembro carrega trabalho, memória e futuro. Para Joel Suruí, cada safra é também uma forma de mostrar o valor da comunidade, fortalecer os produtores e abrir caminho para que a nova geração continue produzindo sem deixar a aldeia.

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