Rondônia

Empresas inclusivas crescem mais? Sebrae ajuda pequenos negócios a transformar diversidade em estratégia ESG

Redação

Diversidade e inclusão representam mais do que uma agenda social, configurando-se também como estratégias eficazes para o fortalecimento de negócios. O Sebrae, por meio da Plataforma Crescimento Sustentável, disponibiliza um diagnóstico que auxilia empreendedores a avaliar suas práticas ESG e a identificar oportunidades para promover maior inclusão em suas empresas, aprimorar a cultura organizacional, fomentar a inovação e expandir o acesso a diferentes mercados.

Mona Paula Nóbrega, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae-RN, destaca que empresas com maior inclusão conseguem atrair mais talentos, compreender melhor seus clientes, inovar com mais frequência e consolidar sua reputação. Para os pequenos negócios, a abordagem ESG (Ambiental, Social e Governança) implica em realizar escolhas responsáveis, alinhadas à sua realidade atual. Ela ressalta que equipes diversas são capazes de oferecer múltiplas perspectivas, contribuindo para a construção de organizações mais robustas, resilientes e inovadoras, enfatizando que a inclusão deve transcender os limites internos da empresa.

É fundamental estender essa perspectiva para a cadeia de fornecimento e para o público-alvo, conectando a organização ao seu ambiente. Essa abordagem assegura o desenvolvimento de produtos mais inovadores, processos mais eficientes, uma cultura organizacional robusta e uma reputação sólida. O principal desafio, segundo ela, é assegurar que a inclusão esteja presente em todas as fases das operações, e não apenas no recrutamento inicial, o que, por sua vez, fomenta a verdadeira diversidade.

Diversidade Integrada à Cultura Empresarial

A ASAS (Agência de Soluções Ambientais e Sociais), estabelecida em 2005, sempre teve a diversidade como um de seus princípios fundamentais. Após utilizar o diagnóstico do Sebrae, a agência formalizou e aprimorou práticas que já estavam presentes em sua cultura. Atualmente, a ASAS emprega 20 colaboradores em regime CLT e 23 estagiários, representando uma variedade de raças, religiões e gêneros.

Daniela Lacombe, diretora da ASAS, explica que, embora a empresa sempre tenha sido diversa, a questão nunca havia sido abordada com tanta profundidade. Com o início do processo de adequação para o Selo ESG Sebrae, a ASAS elaborou um código de ética e uma cartilha de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão). Além disso, promoveu uma palestra sobre diversidade corporativa para toda a equipe e conduziu uma pesquisa interna para mapear o perfil de seus colaboradores.

O levantamento, conduzido anonimamente, explorou tópicos como gênero, orientação sexual, raça e deficiência, e avaliou a percepção da equipe sobre o respeito à diversidade na empresa. Conforme Daniela, a maioria dos participantes considerou essa relação como positiva ou muito positiva. A pesquisa também gerou sugestões para futuras iniciativas, incluindo a implementação de um canal de denúncias e a criação de processos seletivos focados na diversidade.

Daniela Lacombe, empreendedora, ressalta que a principal transformação observada foi uma atenção ampliada às pessoas e às dinâmicas de relacionamento internas. Ela comenta: "Quando começamos a falar mais abertamente sobre diversidade, ética e respeito, essas questões passaram a fazer parte das conversas do dia a dia, e não apenas de documentos ou obrigações."

Pequenas Mudanças, Grandes Avanços

A escassez de recursos não deve ser um impedimento para pequenos negócios que buscam progredir em diversidade e inclusão. Mona Paula explica que o ponto de partida é identificar as barreiras existentes e comprometer-se com sua superação. A analista do Sebrae afirma que "muitas transformações se iniciam com ações simples, como a revisão de critérios de contratação, o aumento da diversidade nas equipes, o combate a preconceitos, a garantia de um ambiente de trabalho respeitoso, a escuta ativa dos colaboradores e a oferta equitativa de oportunidades de desenvolvimento".

A perspectiva de inclusão pode ser ampliada para a cadeia de valor, priorizando fornecedores diversos, empreendedoras locais, pessoas com deficiência, negócios de regiões periféricas e produtores da agricultura familiar. Mona Paula complementa, dizendo que "são decisões de gestão que podem gerar impacto social positivo sem exigir grandes investimentos".

A vivência da ASAS corrobora a análise de Mona. Daniela revela que "o mais interessante foi perceber que ESG não se resume a grandes projetos. Frequentemente, envolve mudanças simples, como o monitoramento de indicadores, a orientação da equipe ou a definição de critérios mais transparentes para a seleção de fornecedores".

Mona Paula aponta que uma das principais contribuições do Selo ESG Sebrae é capacitar pequenos negócios a transformar o discurso ESG em ações concretas, identificando áreas para aprimoramento, definindo prioridades e progredindo de maneira gradual e viável. Ela conclui: "Não se trata de realizar tudo simultaneamente, mas sim de mensurar, estabelecer metas, executar ações e buscar a evolução contínua."

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