Agronegócio avalia avanço de Flávio Bolsonaro no 1º turno como positivo e cobra interlocução
Setor vê alívio no resultado eleitoral, mas pressiona por nome que articule propostas e diálogo com a campanha presidencial.
O agronegócio brasileiro recebeu com otimismo o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais, que o colocou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação, conforme o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, em entrevista ao Broadcast, é de alívio para o setor. No entanto, o agronegócio mantém a demanda pela definição de um interlocutor formal para a campanha presidencial.
Segundo Cogo, lideranças do setor consideram essencial a indicação de um representante para articular propostas e dar sequência ao diálogo político com a campanha. Na análise do especialista, a dianteira de Bolsonaro no primeiro turno pode acelerar essa definição, impulsionada pela própria pressão do agronegócio.
No âmbito do Ministério da Agricultura, a expectativa é de continuidade do modelo de interlocução adotado entre 2019 e 2022, com a participação direta da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na escolha. Entre os nomes citados no setor, Cogo apontou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que é vice-presidente da FPA e participou da elaboração do plano de governo de Bolsonaro.
Visão Econômica e Prioridades do Setor
Na área econômica, o agronegócio interpreta a formação de uma equipe com perfil mais alinhado ao mercado financeiro como um sinal de compromisso fiscal. As prioridades mencionadas pelo analista incluem segurança jurídica fundiária, uma política econômica mais liberal, menor peso de subsídios diretos, maior uso de crédito privado, abertura comercial e menor ênfase em reforma agrária.
Apoio Qualificado e Cenário para o Segundo Turno
Apesar da leitura favorável, Cogo ressaltou que o setor não trabalha com um apoio irrestrito. Ele citou o documento “Pacto pelo Brasil Nação”, da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), como referência para uma agenda de Estado, que defende o reconhecimento do resultado das urnas e o diálogo com a oposição.
Para o segundo turno, a avaliação é de uma intensificação da movimentação política do agronegócio, com a ampliação de apoios regionais. Cogo também apontou divergências dentro da FPA, com parte da bancada defendendo neutralidade para evitar desgaste com aliados históricos.
Fortalecimento da Bancada Ruralista e Previsibilidade
Na leitura de Cogo, o cenário aponta para uma bancada ruralista fortalecida e mais alinhada à direita no Congresso. Além disso, ele observa um quadro favorável ao agronegócio nos governos estaduais. O setor projeta maior convergência federativa, menor fricção institucional e mais previsibilidade regulatória em caso de alinhamento político com o Palácio do Planalto.